Águia bicéfala

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Ninguém pode apagar a luz do espírito. Luz é a sabedoria que abre caminho nas trevas da ignorância humana, e revela a verdade da vida! A ciência e o livre pensamento aproximan aqueles a quem o fanatismo divide! Nossa separação é uma ilusão. Somos partes interconectadas do todo. Somos uma lagoa com movimentos e memória. Nossa realidade é maior do que você e eu, e todos os barcos que velejam nas águas e todas as águas por onde velejam!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Queridas" Narcísicas.


O mitómano, o mundano, o perverso-narcísico, o cínico, o masoqchista, o psicopata, o jogador: eis os sete tipos de desvio moral que cada um de nós encontra na sua vida quotidiana e dos quais podemos ser vítimas ou cúmplices inconscientes.


Ao tentar beijar o objeto de seu amor, caiu na água e morreu afogado o otário. Essa é a base mítica daquilo que é denominado "ferida narcisíca", algo que interessa a todos nós.
(interessa sim, pois provavelmente você ainda não a sentiu o suficiente)
Uma forma bem fácil de explicar a ferida narcísica é dizer que as três principais feridas da humanidade ocorreram nos últimos séculos.






Com: Copérnico, descobrimos que não somos o centro do universo - A teoria do modelo heliocêntrico.
Uma boa frase para resumir diz: “Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro acorda” (Jung)
Para que entenda um pouco melhor indico esse excelente vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=0N0kFPekLo0


                                               

Com Darwin, em: A origem das espécies, Evolução das espécies!
“E DEUS FEZ O HOMEM À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA”


Um video bem interessante que mostra uma parte da evolução humana no link a seguirhttp://www.youtube.com/watch?v=03UQSFfqIwM






Com Freud, descobrimos que nossas nobres motivações são alicerçadas em instintos primitivos!
Freud ainda completa ao dizer que: ''O homen não é senhor em sua própria casa."




Os quinze séculos que separam A Cidade de Deus de Agostinho de Hipona, concluído em 426 d.C.,
O Futuro de Uma Ilusão de Freud, escrito em 1927, foram repletos de mudanças nas ideias políticas, religiosas, científicas e filosóficas dominantes no Mundo Ocidental. Segundo o próprio Freud, tiveram lugar nesse período as três feridas narcísicas da humanidade, incluindo a do heliocentrismo coperniciano, a da teoria evolucionista de Darwin e a do advento da própria Psicanálise. Em conjunto, estes factos mudaram para sempre o Homem como objecto do seu próprio conhecimento. O leitor poderá, então, questionar-se sobre a validade de um tal exercício comparativo, como o que pretendemos realizar a partir deste estudo, e inclinar-se precipitadamente para a conclusão de que dele não resultará senão a constatação do avanço inexorável das ideias e concepções humanas sobre o Mundo e a Natureza do seu próprio ser. E, no entanto, subtraída esta análise da desigualdade entre os ponto de partida de Agostinho e Freud, supreendemo-nos com a coincidência de seus propósitos, com as semelhanças das questões que os motivam e, por vezes mesmo, com a proximidade das respostas que para elas encontram.

Humanidade mergulhou no lago e viu que aquela imagem projetada na superfície não passava de uma miragem. Apesar da decepção, a cada mergulho afogaram-se suas ilusões e o homem emergiu fortalecido.
(fortalecido sim, pois há uma grande potência em descobrir o quão pouco se pode)
Assim como a humanidade, cada ser humano, em sua vida íntima, depara-se com a ferida narcísica ao perceber que seus melhores sonhos, maiores vaidades e mais queridas expectativas não correspondem em absoluto à realidade. Na verdade, quase sempre que algo nos incomoda no cotidiano é porque no fundo levantaram a casquinha da ferida e cutucaram justo lá onde a pele é bem vermelha e mais sensível. Mas isso é bom. Isso é uma oportunidade e tanto de realmente evoluir. É essencial que Percival reconheça a ferida de Anfortas. Afinal, um homem comum que se julga gigante vê um objeto longínquo e supõe que basta esticar o braço para alcançá-lo. Esse gesto, contudo, será obviamente em vão. Porém, se tiver a SORTE de decepcionar-se e descobrir que não passa de um homem com estatura normal, poderá ir até o objeto e efetivamente agarrá-lo, nem que para isso precise caminhar um bocado.
(caminhar um bocado sim, pois é a planta do pé firmada no chão batido que nos permite seguir com a cabeça erguida)

Toda vez que alguém falece em nossa família, sofremos uma ferida narcísica, pois temos a consciência do quão pouco podemos diante de um destino que parece, sejamos sinceros, aleatório e inclemente. Nossa incapacidade de, às vezes, aliviar a dor de um ente querido revela o quão nossa própria condição humana é frágil. Mas nem todo mundo nasceu para ver e (principalmente) entender Gritos e Sussurros. Desse modo, se quisermos, podemos ignorar a lição e narcotizar nossa consciência com alguma distração. Mas, agindo assim, continuaremos para sempre crianças perdidas.
(crianças perdidas sim, pois só um adulto sabe dar valor ao poder que emerge de cada derrota)

Toda vez que algo ou alguém nos rejeita, seja em uma entrevista de emprego, em uma amizade proposta, em um flerte ensaiado, em uma prova de capacidade ou em um concurso público, mergulhamos novamente no lago. É quando mais um pouco do Narciso morre e, se formos perspicazes, o que emergirá será alguém mais desperto. Aprenderemos que o universo não é um espelho pronto para refletir nosso ego - esse pequeno ego que, nas palavras de Muriel, deveria apenas operacionalizar nossa relação com o mundo circundante, ao invés de agir como déspota de nossa psique, como reizinho mimado e arrogante. Bom, nada melhor para destronar esse tirano do que um banho no lago onde está a verdade, pois a cada mergulho ele perde um pouco de seu mando.
(perde um pouco de seu mando sim, pois percebemos que a vida é muito maior que nossos desejos)

Por isso (ah, e era aqui que eu queria chegar!), caso façamos o dever de casa direitinho, atingiremos certa idade na qual se desenvolver é um processo automático, exercendo uma força gravitacional sobre nossas escolhas. Não há decepção que não seja, a par toda tristeza inerente, um degrau a mais em que nosso pequeno ego esmorece e é deixado para trás. E esse esmorecer é sempre uma espécie de vitória sobre si mesmo. A partir de então, sempre que somos feridos, algo em nós sorrirá gentilmente, por saber que se trata de uma oportunidade de ouro para fazer brotar uma consciência maior. Eu ouso até dizer que há um momento de nossas vidas no qual passamos a procurar a desordem, o caos e o problemático, não por masoquismo, mas por termos aprendido que, a cada queda, o que morre era destinado a assim morrer, e o que se ergue é o que tinha de assim nascer.
(Tinha de nascer sim. E a tudo que nos derruba devemos um "muito obrigado." E àqueles que nos derrubaram ou ainda vão derrubar, devemos um dia dizer: "é uma pena que você jamais venha a dar-se conta do quão longe fui graças ao que ocorreu, pois há certas distâncias que seu olhar simplesmente não pode alcançar e, aqui do alto onde estou, tudo tem outra proporção)

Aprender a usar a derrota ou erro, como motivação para chegar mais longe!

"Eu particularmente, Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; se não fosse por elas, eu não teria saído do lugar, saído da escuridão em direção a luz! As facilidades nos impedem de caminhar!"

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